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Zero Hora de 02/01/02 |
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Veranistas pagam por proteção
no Litoral RODRIGO CAVALHEIRO Segurança
pública virou mais um item na lista de compras de quem pretende descansar
na praia, assim como milho verde e o bronzeador. O
que é um direito constitucional assegurado gratuitamente passou a figurar
como despesa no orçamento de veranistas e habitantes da orla. Milton
Rodrigues da Silva, pai de Júlia, sete meses, só sentiu-se sossegado na
casa em Rainha do Mar quando passou a pagar R$ 15 mensais para uma empresa
especializada vigiar sua casa. Com a filha agarrada ao pescoço, não se
arrepende do investimento na segurança da família. –
Eles estão sempre circulando, principalmente de noite, quando iluminam tudo
com uma lanterna. Assim eu me sinto seguro – revela Silva. A
idéia de contratar o serviço veio de vizinhos que haviam aderido ao
sistema. Hoje Silva é um dos cerca de 300 filiados à Associação Comunitária
do 1º Distrito de Xangri-lá, que atende aos balneários de Rainha do Mar,
de Noiva do Mar, de Coqueiros e de Arpoador. A associação surgiu no
veraneio passado, diante do aumento nos arrombamentos de casas e
estabelecimentos que culminaram na morte de um comerciante. Em
reportagem publicada domingo, Zero Hora mostrou que Tramandaí, Capão da
Canoa, Balneário Pinhal e Xangri-lá apresentaram entre janeiro e setembro
passados mais de 316 roubos por 100 mil habitantes, proporção considerada
crítica por especialistas em violência. –
A situação era caótica. Fechávamos as lojas às 17h. Foi o último
recurso para garantir a segurança que a Brigada não consegue fazer –
explica o corretor de imóveis Egon Decker, presidente da Associação
Comunitária do 1º Distrito de Xangri-lá. Com
o dinheiro arrecadado entre os associados, Decker paga a empresa de vigilância
e mantém um cadastro de clientes atualizado. Cada um deles ganha um adesivo
ou placa, colocados na fachada. É o aviso de que o local é vigiado. –
O pessoal comenta que com as placas, a segurança aumenta. Antes os ladrões
não respeitavam nem de dia – afirma Beatriz Lindner, 46 anos, dona de um
salão de beleza que ostenta o alerta na entrada. Um
passeio por balneários em que predominam casas mostra como a popularidade
dos vigilantes sobe na proporção em que a dos brigadianos decresce. É difícil
encontrar uma casa sem os adesivos da empresas. –
Não podemos garantir que não vai haver arrombamento, mas mesmo assim quem
tem um dinheiro sobrando contrata o serviço – avalia Sílvia Regina
Sarmento Ourique, dona de uma zeladoria que cobra um salário mínimo por
semestre pelo serviço. Algumas
das empresas, embora não admitam, mantêm vigilantes armados sem
treinamento específico para tanto. A defesa da residência por conta própria
não é recomendável, já que a orientação para os guardas particulares
durante um assalto é chamar o policiamento militar, e torcer para que ele
chegue a tempo.
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