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Zero Hora de 29/01/02

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Agentes da Susepe fazem greve de fome
Servidores paralisados protestam contra deficiências técnicas e insegurança

Protesto: sem comer desde sábado, agentes acamparam na Praça da Matriz (foto Emílio Pedroso/ZH)

        Quatro agentes da Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe) estão em greve de fome desde a tarde de sábado em apoio à greve de servidores do Núcleo de Segurança e Disciplina do órgão.

        O protesto, realizado em frente ao Palácio Piratini, em Porto Alegre, começou após uma ação da Brigada Militar, que retirou da sede do núcleo veículos de transferência de detentos retidos pelos manifestantes.

        Desde as 16h de sábado, os agentes do Núcleo de Segurança e Disciplina Gilson Fernandes, 36 anos, Cléo da Costa Figueiredo, 34, João Nunes de Freitas, 36, e Jefferson Sebastião Garcia, de 35, permanecem em jejum acampados na Praça da Matriz. Eles afirmam que somente estão bebendo água.

        Em greve desde a quinta-feira, quando parte da categoria aderiu à paralisação das atividades de transporte de presos entre casas prisionais, para hospitais ou para audiências judiciais, os quatro optaram pela greve de fome diante de uma ordem da Susepe, com apoio da BM.

        – Tentamos uma negociação, mas para nossa surpresa, a Brigada Militar invadiu o núcleo – sustenta Nunes, vice-presidente da Associação dos Monitores, Agentes e Auxiliares Penitenciários do Rio Grande do Sul (Amapergs).

        Os agentes queren melhoria nos carros, reforço em armamentos e coletes à prova de bala e pagamento de horas extras e de diárias atrasadas.

        No sábado, soldados da BM cedidos à força-tarefa da Susepe retiraram, por instrução da superintendência, cerca de 15 veículos de transporte de presos que vinham sendo retidos por cerca de 10 grevistas. A partir de agora, conforme a Susepe, o serviço de transporte será realizado por agentes do núcleo que não aderiram ao movimento, com apoio da BM.

        O Núcleo de Segurança e Disciplina da Susepe tem cem funcionários, e todos teriam parado desde a quinta-feira, conforme a Amapergs. A Susepe alega que o movimento conta com apenas 17 funcionários. Em razão da greve, na quinta-feira 45 sessões na Justiça foram suspensas.

CONTRAPONTO

O que diz Airton Michels, superintendente da Susepe:

Michels não reconhece o movimento como grevista e garante não negociar com os manifestantes enquanto todos não retornarem ao trabalho. Ele atribui aos grevistas uma “atitude indevida” e “ilegal”:
– Não houve intervenção da Brigada Militar. Os agentes parados interromperam o serviço contra a lei. O Estado tem de cumprir seu papel e efetuar as transferências necessárias para a realização de audiências de Justiça, por exemplo – diz Michels.

 

 

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