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A INSEGURANÇA PÚBLICA NO RS Mário Henrique Osanai É com extremo pesar que escrevo estas
linhas. Realmente, faço parte de uma lamentável e assustadora estatística: a das vítimas da violência urbana. Modificações comportamentais, no sentido de criar uma cultura civilizada e ordeira, demoram gerações, muitas gestões ou mandatos, décadas, séculos... A Europa e o Japão, por exemplo, com toda sua tradição e história, nos mostram o significado dos valores morais difundidos ao longo dos anos. Mas, mesmo cientes de que esses padrões de comportamento têm uma longa história, não podemos esquecer de detalhes fundamentais. Ou seja, em determinado momento da história, eles iniciaram! Vivemos um caminho inverso. Poderíamos mesmo afirmar que estamos na contramão da civilidade. Cidades outrora pacíficas, seguras e agradáveis estão se transformando em campos de concentração, fronts de batalha, cenários terrorristas, matadouros, fábricas de mutilados... Isso é preocupante !!! Porto Alegre (ou o Rio Grande do Sul, de forma geral) está com índices de criminalidade em uma ascensão vertiginosa. As estatísticas oficiais já não refleterm a realidade cotidiana. Vítimas da violência, já céticas em relação ao sistema de segurança pública, sequer notificam o ocorrido pois sabem tratar-se de procedimento inócuo. Eu, por exemplo, não consto nos índices oficiais da criminalidade. Ainda não pude registrar a ocorrência policial. Afinal de contas, stou restrito ao leito por uma fratura no quadril. Quantas outras pessoas, já lesadas de alguma forma, deixam diariamente de registrar os incidentes por motivos semelhantes ? Tenho recebido, diariamente, dezenas de relatos de casos semelhantes. Todos sem registro oficial. A argumentação é sempre a mesma: para quê ? Raras são as ocorrências registradas que desencadeiam alguma ação efetiva. A grande maioria é arquivada ou mesmo descartada ao final do expediente. Estaremos, em breve, em um ano eleitoral. Nas disputas e nas prestações de contas, os índices oficiais serão os apresentados pela atual gestão. Seremos novamente ludibriados com estatísticas maquiadas ? Teremos relatórios com dados não representativos da nossa realidade. Podemos errar por desinformação, desconhecimento, ignorância... Mas, a má fé com que estamos sendo tratados requer medidas urgentes. Caso contrário, seremos culpados por possuirmos um emprego, seremos marginalizados por desempenhar algum ofício, seremos criminosos por adquirirmos um patrimônio. Nós, cidadãos que agem segundo a ordem e a lei, estamos sendo desprestigados e preteridos em relação aos que se dizem "sem oportunidade e por isso são bandidos" ou "explorados e por isso sõ sem terra"... Meus avós paternos vieram do Japão sem qualquer formação acadêmica. Trabalharam duro e o único patrimônio que conseguiram deixar para os filhos foi a educação. Pelo lado materno, italiano, a história foi a mesma. E, tenho a certeza de que, se vivessem nos dias de hoje, jamais aceitariam a argumentação de que a pobreza leva ao crime. O que leva ao crime é a falta de referencial, de educação, de cultura, de princípios, de "vergonha na cara". O papel do Estado é proporcionar acesso a esse tipo de caminho e JAMAIS justificar a marginalidade e o crime. A postura do Secetário Estadual da Segurança me envergonha e me revolta. Suas declarações me decepcionam a cada dia. Sua linha de pensamento me agride. É de conivência e tolerância sem a disciplina e o rigor que o cargo lhe exige. O momento pede de austeridade, seriedade e competência. Até quando estaremos nas mãos dos bandidos e seus cúmplices ? |
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