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Zero Hora de 03/02/02 |
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Folgas
reduzem número de bombeiros A
troca do pagamento de horas extras pela concessão de folgas a bombeiros
reduziu o número de soldados por equipe de serviço em Porto Alegre e no
Interior. Guarnições
que tiveram sua estrutura reduzida pelo novo esquema de plantões estariam
enfrentando problemas de falta de pessoal para operar equipamentos de
combate a incêndio. A
nova escala de serviço dos bombeiros alterna 12 horas de trabalho por 36
horas de descanso. O esquema antigo era de 24 horas de trabalho e 48 de
descanso. A mudança obrigou o Corpo de Bombeiros a aumentar as guarnições
de três para quatro equipes. No entanto, cada equipe teve reduzido o número
de soldados. Com a concessão de folgas, o problema teria se agravado. Um
bombeiro que pede para não ser identificado conta que sua equipe de serviço
perdeu um soldado desde o início do novo sistema. O grupo, formado
originalmente por cinco homens, foi reduzido para quatro. Em caso de incêndio,
um deles deve permanecer no quartel. Como a equipe é formada por um
motorista e pelo comandante, resta apenas uma pessoa para operar a mangueira
e a válvula que controla a pressão da água. –
Falta gente para apagar o incêndio. O motorista e o comandante não podem
se envolver, e sobra só uma pessoa para controlar o esguicho e a válvula
da mangueira – diz o soldado. A
formação mais indicada para uma equipe do Corpo de Bombeiros, de acordo
com o coronel Amilcar Cassales Barros, ex-comandante do 1º Grupamento de
Combate a Incêndios de Porto Alegre, teria dois homens para controlar a
mangueira e a pressão da água. Barros diz que seria inviável manter
apenas um soldado nessa função. –
O normal é que duas pessoas façam isso para controlar a pressão, embora o
equipamento possa ter sido aperfeiçoado nos últimos anos. Se a pressão
for muito forte, pode deslocar o soldado que estiver segurando a mangueira. Para
o presidente da Associação Beneficente Antônio Mendes Filho de Cabos e
Soldados da Brigada Militar (Abamf), Leonel Lucas, o pagamento das horas
extras resolveria a questão. Segundo ele, a Abamf ingressará na Justiça
para garantir o cumprimento da carga de 40 horas semanais da categoria e a
liberação do dinheiro para pagar as horas extras quando for o caso. –
O governo pagou as horas extras para quem trabalhou durante o Fórum Social
Mundial, e o número de ocorrências foi menor. Se, em vez de conceder
folgas, houvesse o pagamento em dinheiro, a população estaria mais segura
– afirma. Segundo
Lucas, algumas estações dos bombeiros, em número insuficiente de soldados
em razão da mudança de escala, correm o risco de ser fechadas por causa do
esquema de compensação de horas trabalhadas. No Interior, a situação
seria ainda mais grave.
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