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Folgas
podem reduzir policiamento no RS
Efetivo
diminui por falta de horas extras, diz associação
A
concessão de folgas e horas extras a servidores da Brigada Militar, uma lei
que deveria beneficiar o funcionalismo, está desagradando a policiais gaúchos
desde dezembro.
Cabos
e soldados reclamam que o uso indevido de folgas em lugar do pagamento em
dinheiro por excesso de horas trabalhadas está reduzindo o efetivo nas ruas
na Região Metropolitana.
ODecreto
41.255, de dezembro de 2001, que regulamentou a Lei 11.650, de 19 de julho,
faculta a todo servidor da BM que exceder à jornada de 40 horas semanais o
direito ao pagamento de horas extras ou de folgas. Porém, nem toda hora
extra foi convertida nos R$ 4,22 pelo governo.
Um
dos artigos do decreto definiu a obrigatoriedade de autorização prévia do
Estado para o pagamento das horas extras, circunstância inviável em um
registro de ocorrências em flagrante, por exemplo. O excesso de
trabalho está sendo
compensado com folgas.
Em
Porto Alegre, conforme a associação, cada uma das oito unidades da BM
registra de quatro a cinco flagrantes todos os dias. Na Região
Metropolitana, seriam entre 56 e 70 ocorrências diariamente – o
suficiente para afastar, ainda segundo cálculos da associação – até
140 agentes do patrulhamento (considerados dois por ocorrência). Na
Capital, seriam menos 80 policiais, em um efetivo próximo de 900 homens.
–
O objetivo dos policiais com o decreto era receber o dinheiro. O governo
anunciou que pagaria, mas não o fez. A população perde porque não vai
ter BM na rua. A hora extra deveria aumentar o policiamento, não reduzi-lo
– diz o presidente da associação, Leonel Lucas.
A
associação promete ingressar na Justiça nos próximos dias exigindo o
cumprimento da jornada de 40 horas semanais.
Além
do pagamento, os PMs perderiam, com a concessão de folgas, o direito à
Etapa Alimentação, que a cada seis horas paga R$ 6,92 como auxílio para
servidores da BM fora de expediente.
Desde
o início do ano, cerca de 30 soldados ligados ao Batalhão de Operações
Especiais (BOE) reforçam o patrulhamento ostensivo em Porto Alegre.
Reportagem de Zero Hora publicada no início do mês mostrou que a BM vive
seu momento de menor efetivo. Há 19% menos PMs no RS do que em 1991. No
mesmo período, a população aumentou 12,8%.
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CONTRAPONTO
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O
que diz o Luiz Antônio Brenner Guimarães, subcomandante-geral da
BM:
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Para
Brenner, a diminuição do efetivo provocada pelas folgas não é
significativa. O coronel alega que o número de flagrantes não
alcança a média de quatro a cinco por dia, e que nem todos
demandam o pagamento de horas extras. Para o comando da BM, o
flagrante é uma situação de emergência e de exceção,
conforme prevê a lei:
– Quando o serviço não permite tempo para autorização do
pagamento, em princípio, esse serviço será pago com folgas. Há
dias e horários nos quais é necessário um efetivo menor, e a
divisão por escala sempre foi feita. Não vai haver redução que
represente risco à população – assegura Brenner.
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