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Zero Hora de 17/08/02

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Flagrante demora 13 horas em DP
Policiais militares e vítimas ficaram das 2h45min até as 16h à espera da liberação

ADRIANA IRION

               A psicóloga explica que o cansaço físico foi o maior problema enfrentado pelos participantes da megaoperação, que mobilizou 119 policiais militares.

        – A idéia é repetir o procedimento sempre que houver eventos como motins e seqüestros – afirma.

        A SJS promete colocar em prática um programa de saúde mental dedicado aos servidores da segurança pública. O objetivo é diagnosticar, com critérios científicos, quais os principais problemas de ordem psíquica que atingem os servidores da segurança. A partir desse levantamento, será oferecido tratamento aos servidores.

        Um convênio com Fundaçao de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs) deve garantir profissionais das áreas de psiquiatria, psicologia, enfermagem, serviço social, sociologia, antropologia, educação física, terapia educacional, arte e pedagogia no atendimento dos servidores. Centros de atendimento à saúde mental devem ser instalados em Porto Alegre, Santa Maria, Pelotas, Passo Fundo, Caxias do Sul e Santo Ângelo.

        Entre os praças da BM, o índice de alcoólatras apontado pela pesquisa da socióloga Maria Caetana Pedroso Rodrigues é uma vez e meia superior a estimativa de alcoolistas existentes entre a população de Porto Alegre. Na Capital, estudos estimam que 10% da população adulta é dependente de álcool. O levantamento feito pela socióloga com 10% dos praças locados em Porto Alegre constatou um universo de 25,13% de alcoolistas entre soldados, cabos e sargentos envolvidos na pesquisa.

        O psiquiatra e psicanalista Sérgio de Paula Ramos, da Unidade de Dependência Química do Hospital Mãe de Deus, não se surpreende com a constatação do estudo.

        – Profissões que lidam com uma carga maior de estresse vulnerabilizam esses profissionais para o alcoolismo. É o caso de pessoas ligadas a segurança (policiais), médicos, jornalistas, coveiros – exemplifica o especialista.

        Ramos pondera que o consumo excessivo do álcool entre policiais também é registrado em outros países.

        – É um fato que vulnerabiliza ainda mais a segurança – constata Ramos.

“Estava alcoolizado em vários tiroteios”

        Aos 40 anos, o soldado que atua em um batalhão da Região Metropolitana é um dos policiais dispostos a vencer o álcool. Pai de três garotas e três rapazes, divide a atividade militar com a profissão de pedreiro nas horas vagas. Ele ingressou na BM aos 22 anos, e há um ano e meio não bebe. A seguir, trechos da entrevista:

        Zero Hora – Quando o senhor começou a beber?

        PM – Bebo socialmente desde os 15 anos. Mas quando vim para o policiamento ostensivo, na Região Metropolitana, há oito anos, passei a beber todos os dias.

        ZH – Bebia em serviço?

        PM – Sempre, todos os dias. Trabalhava das 19h às 7h. Lá pelas 22h, chegávamos em um bar e começávamos a tomar. Eu esquecia o policiamento. Só levantava quando tinha de ir embora. Bebia o que aparecia, de cerveja a cachaça.

        ZH – A turma de policiais era sempre a mesma?

        PM – Mudava, mas os parceiros acompanhavam. A maioria dos que trabalhavam à noite bebiam. Outros, cheiravam (cocaína) ou fumavam maconha. Eles facilitavam que eu bebesse, e eu facilitava que eles usassem droga. A noite permite o uso da droga, do álcool, a corrupção, tudo. O cara viciado sempre vai querer trabalhar à noite.

        ZH – Vocês tinham dinheiro para gastar com álcool e droga?

        PM – O álcool era dado por comerciantes e donos de cabaré. E a droga era retirada de marginais. Para os comerciantes, é vantagem o PM estar ali porque se sentem seguros. Eles não sabem as conseqüências.

        ZH – O senhor já participou de uma ocorrência alcoolizado?

        PM – Estava sob o efeito do álcool em vários tiroteios. Efetuei prisões, tive o carro furado a tiro.

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