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Zero Hora de 08/01/02 |
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Erro
manteve homem na prisão CARLOS
ETCHICHURY Ele
seria apenas um dos mais de 4 mil presos que compõem o complexo penitenciário
em regime fechado de Porto Alegre e de Charqueadas não fosse um detalhe:
Santos jamais foi condenado pela Justiça e cumpria pena em função de um
erro da Superintendência do Serviços Penitenciários (Susepe). Na
guia de soltura de Santos, expedida em 14 de dezembro pelo Núcleo de
Controle Legal da Susepe, consta que ele foi mantido quatro anos no cárcere
por uma pena “sem enquadramento”. O motivo da libertação, atesta o
mesmo documento, é “prisão indevida”. A corregedoria da Susepe
instaurou uma sindicância para apontar a autoria do erro. O
drama do rapaz se iniciou em novembro de 1995, quando, aos 18 anos recém-completados,
furtou objetos de uma residência. Acabou preso em flagrante e levado para
um presídio, em Guaíba. Menos de um mês depois, recebeu liberdade provisória.
Acabou retornando a cadeia em janeiro de 1997, por não comparecer às audiências
judiciais. Em
maio daquele ano, a pena de Santos prescreveu, e o jovem deveria ter sido
colocado em liberdade, de acordo com decisão da Justiça. Não foi o que
ocorreu. Funcionários
da Susepe constataram que ele havia sido condenado por roubo, a oito anos e
quatro meses de prisão, pela 10ª Vara Criminal de Porto Alegre. Portanto,
deveria permanecer encarcerado. Na verdade, o condenado não era Santos, mas
sim outro rapaz de nome parecido, Marcelo Jesus Santos da Silva, que
inclusive já cumpria pena pelo crime. A condenação, porém, foi lançada
na ficha de Santos, e ele, transferido para o Presídio Central. Ao
longo dos anos em que esteve na cadeia, passou diversas vezes pelo Instituto
Psiquiátrico Forense (IPF), perambulou por cinco presídios e esteve 20
meses confinado na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc),
convivendo com os presos mais perigosos do Estado. Ao
longo deste período, foram raras as visitas, que se limitaram ao pai,
Manoel Luiz da Silva, 59 anos. Desempregado e também analfabeto, Manoel diz
que tentou socorrer o filho, mas não foi ouvido pelas autoridades.
Faltaram-lhe forças para suplantar a burocracia. –
Procurei o fórum de Porto Alegre para dizer que meu filho não devia nada.
Disse que estava preso injustamente. Mas ninguém me ouviu. Disseram que o
problema era em Guaíba. Depois, não tive como seguir a caminhada, por
falta de dinheiro – recorda. O
erro foi finalmente descoberto depois que Santos enviou uma carta à direção
da casa onde estava preso, a Penitenciária Estadual de Charqueadas. Um
advogado da casa consultou documentos e constatou que ele estava preso
indevidamente. O erro foi comunicado à direção da Susepe, que emitiu a
guia de soltura e liberou Santos. –
Vamos disponibilizar a assistência necessária para que o Marcelo seja
indenizado pelo que o Estado fez com ele – promete o deputado federal
Marcos Rolim (PT-RS), integrante da Comissão de Direitos Humanos da Câmara
dos Deputados . O
corregedor dos Presídios de Porto Alegre e Charqueadas pelo Ministério Público,
Gilmar Bortolotto, instaurou um expediente para investigar o caso. –
O expediente ainda não está concluído. É um fato grave e se for
constatado que o erro foi do Estado essa pessoa poderá pleitear uma
indenização – diz.
“Quero
aproveitar minha liberdade” Marcelo
Silva Santos não sabe o que fazer na rua. Recém-libertado das prisões gaúchas,
prefere passar a maior parte do tempo com o pai e com um irmão, também
analfabetos e desempregados. O trio fica recluso no casebre de restos de
madeira, sem luz ou água instalados em um beco de Guaíba. Na peça única,
há apenas uma cama sobre o chão batido. Ontem, Santos falou a ZH. Zero
Hora – Como era a sua rotina na prisão? Santos
- Acordava quando clareava o dia e esperava abrirem o pátio. Varria as
coisas, limpava a cela. Também lavava as cubas (bandeja utilizada pelos
presos nas refeições). Meu pai foi algumas vezes me visitar. ZH
– O senhor disse para os funcionários do Presídio Central que não tinha
condenação? Santos
- Falei, mas me
levaram para uma cela e disseram: ‘ tu tem mais uma condena (condenação). ZH
– Como lhe ouviram? &nbher que estava com a vítima foi
levada como refém e estuprada. Dois dos criminosos foram presos depois de
trocar tiros com a polícia em Caxias do Sul. Em Vacaria, a polícia também encerrou a fuga de criminosos que horas antes haviam mantido refém a família de um gerente de banco do município de Pinhal da Serra, na divisa com Santa Catarina. Perseguidos pela Polícia Rodoviária Federal, os assaltantes capotaram o carro. A polícia recuperou R$ 435 mil, roubados do banco. XÊNIA
CHEMELLO Um
empresário foi morto, e uma mulher estuprada por assaltantes entre a noite
de segunda-feira e a madrugada de ontem em Vacaria. Depois
de espancar e afogar o homem e de amarrar a mulher a um poste, dois dos ladrões
acabaram presos. Por
volta das 23h30min de segunda-feira, o empresário João Alfredo Mackmillan
Porto, 46 anos, saiu com uma amiga de 32 anos na caminhonete Pajero dela.
Eles haviam deixado um ensaio de uma banda que ele integrava. Porto
e a amiga pararam o veículo nas imediações da BR-116, próximo ao CTG
Porteira do Rio Grande, no acesso principal de Vacaria. Com os vidros
fechados e os bancos reclinados, o casal não percebeu a aproximação de três
jovens. O trio jogou uma pedra contra o pára-brisa e surpreendeu os dois,
anunciando o assalto. Porto
foi ferido na cabeça por pedradas e pauladas. A mulher foi rendida e
obrigada a dirigir a caminhonete até a barragem de captação da Companhia
Rio-grandense de Saneamento (Corsan), a cerca de três quilômetros do
local. Na
barragem, o empresário foi agredido novamente, até ficar desacordado. Em
seguida, o trio amarrou os pés e as mãos de Porto com fios de náilon e
pedaços de pano e jogou-o na represa. Um dos adolescentes estuprou a mulher. Em seguida, os ladrões a obrigaram a ensinar como dirigir o veículo, que tem comandos automáticos. Antes de |