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Zero Hora de 11/09/02 |
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Justiça condena dois
oficiais por omissão no Caso do Relógio Dois
oficiais da Brigada Militar foram condenados ontem por infringir o Código
Penal Militar em 22 de abril de 2000, quando manifestantes destruíram um
relógio alusivo aos 500 anos do Descobrimento do Brasil em Porto Alegre. O
coronel Carlos Alberto Santos, ex-subcomandante-geral da Brigada Militar e
hoje na reserva, foi condenado a um ano de detenção por prevaricação –
deixar de cumprir ato de ofício por interesse pessoal – e dano. O major
Nereu Vargas de Castro foi condenado a seis meses de detenção por
prevaricação. A
sentença foi proferida às 20h pela juíza Karina Dibi Kruel do Nascimento,
que concedeu aos réus a possibilidade de cumprimento condicional da pena. A
decisão foi aprovada por unanimidade pelo conselho da 1ª Auditoria da
Justiça Militar. Os advogados de Santos e Vargas afirmam que recorrerão da
sentença. Outro
oficial denunciado pelo Ministério Público (MP), o major Araken Petry
Rodrigues, teve o julgamento suspenso por decisão do Superior Tribunal de
Justiça (STJ) até que seja apreciado pedido de habeas corpus que tramita
naquela corte. O
julgamento durou cerca de 12 horas e mobilizou a cúpula da Secretaria da
Justiça e da Segurança. A menos de um metro dos réus, na primeira fila do
auditório, estavam o secretário José Paulo Bisol e o ex-subsecretário
Lauro Magnago. –
Vim por solidariedade a meus companheiros e também meus subordinados. Tenho
ligação pessoal e factual com este julgamento e aguardo que a justiça
seja feita – disse Bisol. Pela
manhã, além da leitura da denúncia, o MP exibiu imagens em que apareciam
manifestantes atacando o relógio. À tarde, o promotor Marcelo Liscio
Pedrotti usou quase uma hora e meia para apresentar os motivos que levaram o
MP a denunciar os oficiais. –
A Brigada tinha um dever de agir naquele momento. Como seria possível
conter a multidão com meia dúzia de policiais montados a cavalo? Seria
necessário um número muito maior de policiais. Com aquele efetivo, com PMs
assustados, havia riscos tanto para os policiais quanto para os
manifestantes – sustentou. O
advogado Mathias Nagelstein tentou convencer os jurados de que, se a BM
utilizasse a força, poderia ter ocorrido uma “tragédia”: –
Uns 20 jovens, uns 20 meninos, no ardor da sua juventude, fizeram
aquilo. Se a polícia utilizasse a força
contra eles, correríamos o risco de ter mortes. O coronel Santos agiu de
forma correta e orientado pelo secretário. |
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