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DIGNIDADE
AFRONTADA
Rogério
Teixeira Brodbeck
Já se pressentia que alguma coisa muito grave iria acontecer desde novembro
de 1998, quando o candidato eleito em outubro fazia os seus preparativos e
montava a sua equipe que assumiria no primeiro dia do ano vindouro. Ao pedir
ao governador que terminava o seu mandato para promover a coronel um oficial
da Brigada Militar que sequer estava cogitado para tal, a caserna sabia que
ele seria o ungido para comandar a Instituição.
Até aí, "Inês é Marta" como gostava de dizer o saudoso
desembargador Ladislau Rohnelt, da então temida (pelos bandidos) 2ª Câmara
Criminal . O ex-governador Pedro Simon também guindara ao Comando-Geral da
BM um coronel recém-promovido, Jerônimo Braga, que estava comandando a
Academia. Só que Jerônimo era um profissional apartidário e fora
escolhido por isso. Bons tempos aqueles, como diria o nosso veterano Franco
Barreto.
Outro sinal foi na posse, quando se viu numa janela do Piratini uma bandeira
... de Cuba, em meio à algaravia que cercava o momento solene. Depois, dia
seguinte, em pleno estádio das Bananeiras, local de forja dos futuros
chefes, assumia o novo comandante, que, de quebra, não concordou com a
proposta do que saía de passar sua espada ao seu filho, por "não
estar previsto no regulamento tal ato". Mas, o governador, de cuia em
punho, sorvendo chimarrão em meio a uma solenidade militar, isso podia... E
molambentos simpatizantes ziguezagueando entre os convidados a autoridades,
isso também podia.
Dias após, um incidente entre tropa da Brigada e não sei quem fez o
governador dizer que a Brigada vivia na "cultura da violência". E
o disse com intuito de ofender mesmo, porque violência não quer dizer
nada. Mas a assertiva, vinda do comandante-em-chefe da Instituição atingiu
o nosso fígado com tamanha força que nos deixou atônitos. O maior mandatário
do Estado criticando abertamente a sua maior força! A que sempre permaneceu
leal ao governador, mesmo quando um deles tentou se sublevar. Parafraseando
uma amigo, "aos governadores, por piores que sejam, deve-se lealdade,
sempre".
Enquanto isso, o secretário da pasta já perpetrava das suas, maquinando e
engendrando a extinção da BM e sua fusão com a co-irmã, unindo
academias, despejando comandantes de suas residências funcionais a começar
pelo Geral, seguindo-se as dos comandantes do interior ( a de Pelotas está
fechada há mais de um ano, completamente abandonada em pleno centro. Quanto
custa isso?), baixando ordens "incumpríveis e deitando falação
verborrágica. Com sua destreza oral e seus trejeitos estudados, vai a cada
intervenção feita, incitando à polêmica, destratando delegados e
oficiais numa típica manobra gramsciana de fomentar a luta de classes e
desmoralizar os chefes diante dos subordinados. A patuléia delira. E por
ele, tudo vale a pena, até assaltar farmácias.
Depois, o episódio da troca de comando, saindo o do partido e entrando
outro, não menos partidário, mas nem por isso menos omisso. E por fim, o
que está aí, sendo o terceiro a envergar o distintivo contendo o brasão
da BM no bolso direito da túnica (ou da camisa) neste governo, o mesmo que
trocou o quepe pelo boné dos "atingidos por barragens" quando um
deputado do partido, ofendeu o comandante daquela operação e, junto com um
jagunço, ameaçou-o de não conseguir sair dali (ameaça clara) caso
insistisse em participar de uma reunião e chamou-o de "traidor"
(se fosse para mim, seria um elogio, porque as laias são diferentes). Tudo
sob as vistas complacentes, benevolentes e assentes do secretário e do
comandante de boné. Mas os tais omissos estão sendo processados e no fim a
Justiça vai triunfar (oremos). Desse episódio, o governador conseguiu
outra de suas proezas verbais, chamando o comandante demitido (porque
cumpriu seu dever) de "guampa torta". Não se deve julgar os
outros por si.
O tiro de misericórdia foi dado na calada de um fim de semana desses quando
o gabinete do Comando-Geral transferiu-se para o novo prédio da secretaria
da Justiça e da Segurança, onde irá se "ombrear" com as chefias
da própria pasta e as da Polícia Civil, Susepe e Instituto Geral de Perícias,
tudo a pretexto de integrarem-se tais órgãos. Só que ficando o Estado
Maior e assessorias no imortal prédio da Rua do Praia, antigo Q.G., tenho
que o tiro sairá pela culatra, pois qualquer decisão ou consulta ou
repasse de ordens deverão ser transmitidas por telefone ou ao vivo, o que
demandará deslocamentos. Com custos (pagos por nós) e dispêndio de tempo.
Pura jogada para a torcida. De modo, que quase não resta mais nada à briosa. E o que seus integrantes – os honestos, os capazes, os verdadeiros profissionais– mais querem do novo governante a ser eleito em outubro não é aumento de vencimento, de equipamento, de assistência. Não. O que mais queremos é, senhor futuro governador (seja quem for, claro que de preferência qualquer um menos ele), é a nossa dignidade de volta.Só. |
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