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Secretaria da Justiça
critica ação da PRF
Nota
oficial do governo do Estado classificou de “covardia” a
desobstrução da BR-153 por policiais rodoviários
A
Secretaria da Justiça e da Segurança do Estado (SJS) criticou
ontem a Polícia Rodoviária Federal (PRF) pelo conflito na desocupação
da BR-153, na quarta-feira.
Em
nota oficial, a SJS classificou como “atos de covardia” a ação
policial contra os agricultores em Marcelino Ramos, divisa com Santa
Catarina. O superintendente da PRF no Estado, Vanderlei Langer,
discordou da avaliação, própria, segundo ele, “de quem emite
opinião a partir de um gabinete”.
Para
Langer, não houve precipitação na ofensiva dos policiais. Entre
os cerca de 50 homens da PRF envolvidos na ação, 40 fazem parte do
grupo de choque, convocado em várias partes do Estado para essas
ocasiões. Eles chegaram ao local do impasse na madrugada de
quarta-feira, após a expedição da ordem judicial para desobstrução
da BR-153, em Marcelino Ramos, da BR-386, em Iraí, e da RST-480, em
Nonoai, que também estavam bloqueadas.
O
comandante-geral da Brigada Militar (BM), coronel Gerson Nunes
Pereira, garantiu não ter participado da confecção da nota
oficial. Preocupou-se também em ressaltar a posição secundária
dos policiais militares na ação.
–
Nós só atuaríamos se a PRF não conseguisse resolver a situação.
Eles resolveram. Da forma deles, mas resolveram – disse ontem.
A
BM cedeu 40 homens, por solicitação da Justiça Federal, para
atuar como tropa de apoio. Após ver as imagens do conflito, Pereira
identificou apenas um policial militar agressor, mas uma sindicância
para apurar outros excessos será instaurada. Completaram o efetivo
policial cinco agentes da Polícia Federal, encarregados de
supervisionar o transcurso da desocupação, também a pedido da
Justiça.
Conforme
um dos líderes dos agricultores, houve 20 feridos entre os
manifestantes. No lado da PRF, Langer contabilizou sete policiais
com escoriações. Para o superintendente, a ação policial enérgica
evitou danos maiores.
Um
dia após serem presos, os 22 agricultores tiveram a prisão
relaxada pela Justiça Federal. De acordo com o juiz Oziel Francisco
de Souza, os colonos praticaram crime de resistência, não cabendo
a prisão em flagrante. Eram 19h quando os presos – líderes de
entidades de agricultores – foram libertados.
O
juiz de plantão na madrugada de quarta-feira, Luís Carlos Cervi,
havia homologado flagrante por formação de quadrilha, atentado
contra a liberdade de trabalho, resistência e desobediência.
Ontem, familiares dos agricultores ficaram em vigília em frente ao
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Brasil
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Grande do Sul
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Zero Hora de 31/01/02 |
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Folgas
podem reduzir policiamento no RS
Efetivo
diminui por falta de horas extras, diz associação
A
concessão de folgas e horas extras a servidores da Brigada Militar, uma lei
que deveria beneficiar o funcionalismo, está desagradando a policiais gaúchos
desde dezembro.
Zero
Hora – O senhor imaginava que haveria resistência?
Bento
Tarter da Silveira – Havia
esta possibilidade desde o início.
ZH
– O que levou os policiais a usarem a força para a desobstrução
da rodovia?
Tarter
– Os manifestantes já haviam sido contatados pela Polícia Rodoviária
Federal para desobstruírem a via, mas não acataram. Se não fosse
cumprida a lei, por certo estaríamos até agora com quilômetros de
veículos na estrada impedidos de passar. Por isso, o comando da PRF
tomou a decisão de desobstruir.
ZH
– O senhor considera que houve abuso de força na operação?
Tarter
– Daquilo que eu presenciei, não houve abuso em nenhum momento.
Houve resistência por parte das pessoas que exigiram força
moderada. Não deparei com nenhum excesso.
ZH
– Como o senhor avalia as cenas de um manifestante sendo
imobilizado com o uso do cassetete?
Tarter
– Aquele homem estava entre
os manifestantes que subiram no barranco e jogavam pedras nos
policiais. Também havia a suspeita de que ele estava armado. O que
fizemos foi imobilizá-lo para impedir que machucasse alguém. Todos
os instrumentos usados foram de efeito moral, para que houvesse o
menor dano possível às pessoas. Nove manifestantes foram atendidos
no local, todos com ferimentos leves como hematomas ou irritação
nos olhos. O mais ferido foi um senhor de 65 anos que cortou o pé
ao chutar uma granada de efeito moral. Tecnicamente, a operação
foi 100% perfeita.
ZH
– O senhor acha que a desobstrução poderia ser feita de outra
forma?
Tarter
– Com a resistência dos manifestantes, não. As conseqüências
poderiam ser piores se não houvesse a intervenção da polícia.
Ninguém fala das centenas de caminhoneiros, trabalhadores e até
pessoas doentes que estavam tendo seu direito de ir e vir lesado por
causa do bloqueio.
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