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Zero Hora de 10/05/02

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Secretaria da Justiça critica ação da PRF
Nota oficial do governo do Estado classificou de “covardia” a desobstrução da BR-153 por policiais rodoviários

        A Secretaria da Justiça e da Segurança do Estado (SJS) criticou ontem a Polícia Rodoviária Federal (PRF) pelo conflito na desocupação da BR-153, na quarta-feira.

        Em nota oficial, a SJS classificou como “atos de covardia” a ação policial contra os agricultores em Marcelino Ramos, divisa com Santa Catarina. O superintendente da PRF no Estado, Vanderlei Langer, discordou da avaliação, própria, segundo ele, “de quem emite opinião a partir de um gabinete”.

        Para Langer, não houve precipitação na ofensiva dos policiais. Entre os cerca de 50 homens da PRF envolvidos na ação, 40 fazem parte do grupo de choque, convocado em várias partes do Estado para essas ocasiões. Eles chegaram ao local do impasse na madrugada de quarta-feira, após a expedição da ordem judicial para desobstrução da BR-153, em Marcelino Ramos, da BR-386, em Iraí, e da RST-480, em Nonoai, que também estavam bloqueadas.

        O comandante-geral da Brigada Militar (BM), coronel Gerson Nunes Pereira, garantiu não ter participado da confecção da nota oficial. Preocupou-se também em ressaltar a posição secundária dos policiais militares na ação.

        – Nós só atuaríamos se a PRF não conseguisse resolver a situação. Eles resolveram. Da forma deles, mas resolveram – disse ontem.

        A BM cedeu 40 homens, por solicitação da Justiça Federal, para atuar como tropa de apoio. Após ver as imagens do conflito, Pereira identificou apenas um policial militar agressor, mas uma sindicância para apurar outros excessos será instaurada. Completaram o efetivo policial cinco agentes da Polícia Federal, encarregados de supervisionar o transcurso da desocupação, também a pedido da Justiça.

        Conforme um dos líderes dos agricultores, houve 20 feridos entre os manifestantes. No lado da PRF, Langer contabilizou sete policiais com escoriações. Para o superintendente, a ação policial enérgica evitou danos maiores.

        Um dia após serem presos, os 22 agricultores tiveram a prisão relaxada pela Justiça Federal. De acordo com o juiz Oziel Francisco de Souza, os colonos praticaram crime de resistência, não cabendo a prisão em flagrante. Eram 19h quando os presos – líderes de entidades de agricultores – foram libertados.

        O juiz de plantão na madrugada de quarta-feira, Luís Carlos Cervi, havia homologado flagrante por formação de quadrilha, atentado contra a liberdade de trabalho, resistência e desobediência. Ontem, familiares dos agricultores ficaram em vigília em frente ao oration: none;color: #FFFFFF} a.barra:visited {text-decoration: none;color: #FFFFFF} a.barra:hover {text-decoration: underline;color: #FFFFFF} -->

 

 

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Zero Hora de 31/01/02


Folgas podem reduzir policiamento no RS
Efetivo diminui por falta de horas extras, diz associação

        A concessão de folgas e horas extras a servidores da Brigada Militar, uma lei que deveria beneficiar o funcionalismo, está desagradando a policiais gaúchos desde dezembro.

        Zero Hora – O senhor imaginava que haveria resistência?

        Bento Tarter da Silveira – Havia esta possibilidade desde o início.

        ZH – O que levou os policiais a usarem a força para a desobstrução da rodovia?

        Tarter – Os manifestantes já haviam sido contatados pela Polícia Rodoviária Federal para desobstruírem a via, mas não acataram. Se não fosse cumprida a lei, por certo estaríamos até agora com quilômetros de veículos na estrada impedidos de passar. Por isso, o comando da PRF tomou a decisão de desobstruir.

        ZH – O senhor considera que houve abuso de força na operação?

        Tarter – Daquilo que eu presenciei, não houve abuso em nenhum momento. Houve resistência por parte das pessoas que exigiram força moderada. Não deparei com nenhum excesso.

        ZH – Como o senhor avalia as cenas de um manifestante sendo imobilizado com o uso do cassetete?

        Tarter – Aquele homem estava entre os manifestantes que subiram no barranco e jogavam pedras nos policiais. Também havia a suspeita de que ele estava armado. O que fizemos foi imobilizá-lo para impedir que machucasse alguém. Todos os instrumentos usados foram de efeito moral, para que houvesse o menor dano possível às pessoas. Nove manifestantes foram atendidos no local, todos com ferimentos leves como hematomas ou irritação nos olhos. O mais ferido foi um senhor de 65 anos que cortou o pé ao chutar uma granada de efeito moral. Tecnicamente, a operação foi 100% perfeita.

        ZH – O senhor acha que a desobstrução poderia ser feita de outra forma?

        Tarter – Com a resistência dos manifestantes, não. As conseqüências poderiam ser piores se não houvesse a intervenção da polícia. Ninguém fala das centenas de caminhoneiros, trabalhadores e até pessoas doentes que estavam tendo seu direito de ir e vir lesado por causa do bloqueio.

 

 

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