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Fonte:
Ministério da Justiça
RS é rota de armas de
traficantes do Rio
Polícia tenta
aumentar fiscalização nas fronteiras
CARLOS WAGNER
Uma
das batalhas da guerra entre traficantes e policiais pelo domínio do Rio
está sendo travada nos 1.003 quilômetros da fronteira gaúcha com o
Uruguai.
A
região, de campos rasgados por estradinhas despoliciadas, é uma das portas
de entrada de armas e de munição. A mais recente evidência de que o
Estado é rota de armamentos para o Sudeste é o caso do ataque à
prefeitura do Rio, ocorrido na segunda-feira da semana passada.
Das
132 cápsulas deflagradas contra o prédio, seis eram do tipo Wolf, calibre
7.62 com 39 milímetros de comprimento, fabricadas nos Estados Unidos, raras
no Rio e compatíveis com cerca de cinco fuzis, dos quais o AK-47 é o mais
comum na cidade. A munição levou a polícia a desconfiar do envolvimento
do traficante Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, no atentado.
A
quadrilha de Uê já havia utilizado munição desse tipo em um ataque a uma
delegacia. De acordo com as investigações da Polícia Civil, a munição
fabricada pela Wolf sai dos Estados Unidos por uma rota de contrabando que
passa pela África e Argentina até chegar ao Brasil, segue pelo Rio Grande
do Sul, Paraná, Mato Grosso até o Rio.
O
contrabando de armas nas fronteiras brasileiras é feito por inúmeras
quadrilhas. A maior delas, segundo investigações da Polícia Federal (PF),
tem ramificações por vários Estados e é conhecida como Máfia Libanesa
(embora não tenha nada a ver com a comunidade libanesa).
Os
mafiosos estão postados em pontos estratégicos nas fronteiras com o
Paraguai e a Bolívia (em Corumbá e Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul),
Paraguai e Argentina (em Foz do Iguaçu e Guaíra, no Paraná), e com o
Uruguai (no Chuí e em Santana do Livramento).
Parte
das armas é trocada por drogas no mercado internacional, dominado pelo
ex-agente da CIA (a agência de inteligência norte-americana) Sergis
Soganelian. De origem armênia, ele está preso nos Estados Unidos enquanto
seus negócios são tocados pelo filho, Garaiebe.
O
Rio Grande do Sul serve de passagem para as armas que protegem os
traficantes nos morros do Rio. Elas chegam no porto de Montevidéu, no
Uruguai, e ingressam no Brasil pelo Sul. Seguem rumo ao Paraguai, à Bolívia
e à Colômbia, de onde são distribuídas para traficantes cariocas e
outros grupos criminosos na América do Sul – entre eles, as Forças
Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que têm ligações com Luiz
Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.
Preso
na Penitenciária de Segurança Máxima de Bangu 1, no Rio, o traficante
ainda comanda o tráfico de drogas e de armas.
Outro
receptador de armas que usa o Estado com passagem é a família do
fazendeiro gaúcho Erineu Domingos Soligo, o Pingo, estabelecido em Aral
Moreira, ao norte de Capitán Bado, município paraguaio dominado por
Beira-Mar e maior fornecedor de maconha para o Brasil.
Segundo
explicou um policial federal, a passagem de armas pelo território gaúcho
se intensificou nos últimos tempos devido ao aumento da vigilância nas
entradas tradicionais de armas e munição no país – as cidades
paranaenses e do Mato Grosso do Sul, as fronteiras paraguaia e boliviana, e
a Baía da Guanabara, para onde são trazidas de navios, alguns dos quais
depois de uma passagem pelo porto de Montevidéu. As ações das autoridades
contra os contrabandistas de armas nas fronteiras gaúchas já estão
ocorrendo, apesar de invisíveis.
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Porque são de inteligência (rastreamento de quadrilheiros por meio da
movimentação de contas bancárias de suspeitos e de escutas telefônicas
autorizadas pela Justiça) – explicou uma fonte da força-tarefa que
combate o crime organizado no Rio, sob coordenação do Ministério da Justiça.
Sufocar
a entrada ilegal de armas no Rio é fundamental, atesta a inspetora Marina
Magessi, chefe da operações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da
Polícia Civil do Rio.
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A figura do comerciante de armas transita na sombra do conflito entre
policiais e traficantes. Não lembro de ter visto um deles preso. Acabar com
eles seria a mesma coisa que quebrar as pernas do tráfico – diz Marina.
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